quarta-feira, 16 de abril de 2014

Three members of Hezbollah's Al-Manar TV were killed




Three crew members of Hezbollah's Al-Manar TV station were killed Monday after they came under fire in the Syrian town of Maaloula, as politicians offered condolences and praised those killed as "martyrs."

Al-Manar identified the men as reporter Hamzah Hajj Hasan, 29, technician Halim Allaw and cameraman Mohammad Mantash. Several other crew members were wounded, the station said.

With a shaky voice, a teary-eyed anchorwoman announced the death of Hajj Hasan and Allaw, saying "takfiri terrorists" killed the men while they were covering the Syrian army takeover of Maaloula, a predominantly Christian town not far from the Lebanese border.

The station also broadcast footage of the bullet-riddled four-wheel-drive vehicle the three men were traveling in when the attack took place. The vehicle was marked press.

Offering condolences to their families, Al-Manar described the men as "martyrs of freedom."

Minutes later, the station announced that Mantash had died of wounds sustained during the attack.

The Hezbollah TV channel reported earlier in the day that its crew had come under fire. "The Al-Manar team was shot at by armed groups when [they] were covering the Syrian army's takeover of the Maaloula town in Qalamoun," the report said.

The shooting came hours after Hezbollah-backed Syrian forces recaptured at least three border towns including Maaloula, in Qalamoun, a mountainous region bordering Lebanon.

Al-Manar television has provided extensive coverage of the battles in the area in recent months, even accompanying and interviewing Syrian soldiers as the country's army launched an offensive to root out rebel groups.

Hasan Hamzah, Hajj Hasan's colleague at Al-Manar, said he would miss him the most, as the two were very close to each other. "We sat next to each other in the newsroom and shared lots of things, we used the same telephone ... and we shared the same lockers," Hamzah told sadly. "Just today, I wore his shirt and I am still wearing it right now."

Hamzah said that Hajj Hasan knew he was heading to dangerous places. "He was perseverant and knew what he wanted. His life has ended today ... his death is a loss, but he is one of a series of Al-Manar martyrs, I congratulate him," Hamzah added.

Al-Manar General Manager Ibrahim Farhat said a remaining group of gunmen had hidden in Maaloula and shot at Al-Manar's two vehicles, which he said were among other media outlets covering ground developments.

During a brief televised news conference, Farhat declined to say whether Al-Manar was a target. "We will not hesitate to offer martyrs for the sake of the profession ... they were carrying out their professional duty in covering events," he said.

Farhat also said that the bodies of the men were pulled from the scene and that they would be buried Tuesday in Lebanon.

Lebanese officials condemned the killing.

"The assassination of members of media is a coward act," President Michel Sleiman tweeted.

Free Patriotic Movement leader Michel Aoun extended his condolences to Al-Manar. "We are all blessed by the martyrdom of the martyrs ... and we share the pains of their families," Aoun said.

Finance Minister Ali Hasan Khalil, from Speaker Nabih Berri's Amal Movement, paid his respects to Al-Manar, hailing the job of the station's staff as "heroic."

But the Future parliamentary bloc of Former Prime Minister Saad Hariri said the death of the Al-Manar crew members was the result of Hezbollah's continued military involvement in Syria.

In a statement after its regular meeting, the bloc said Lebanon would only witness actual stability when Hezbollah withdrew from Syria.

Iran's Ambassador to Lebanon Ghazanfar Roknabadi strongly condemned the attack.

Syria's Information Minister Omran Zoabi said he congratulated Al-Manar for the three martyrs, wishing the wounded a speedy recovery.

Estamos falando do Heartbleed...


Na última semana, o mundo ficou preocupado com uma falha de segurança que pode afetar milhões de servidores (aproximadamente, dois terços dos servidores podem conter essa brecha na segurança) e deixar os dados de uma infinidade de usuários expostos.

Estamos falando do Heartbleed (o nome significa Sangramento no Coração), um bug que existe em diversos sites que operam com o software OpenSSL, projeto que atua com os protocolos de segurança SSL e TLS.


Falando assim, você talvez não fique muito preocupado, mas, se citarmos que grandes páginas como Yahoo!, Facebook, Google, Amazon, Instagram e outras tantas ficaram vulneráveis, você possivelmente ficará com a pulga atrás da orelha e começará a ficar um bocado preocupado.
Com o intuito de alertá-lo e dar uma real dimensão do problema, hoje vamos explicar o que é essa falha, quais sites podem estar com problemas (e quais estão livres do bug), como você pode se proteger e como é possível verificar se o seu website não é vulnerável.

 

Afinal, o que realmente é o Heartbleed?


O bug do OpenSSL não nasceu agora. Ele não é algo proveniente de uma atualização recente. Conforme informação oficial da desenvolvedora do software, essa falha já existe há mais de dois anos, mas ninguém sabia que ela estava lá (nem mesmo os próprios desenvolvedores, afinal, se alguém soubesse, ela já teria sido corrigida muito antes).

Quem acabou descobrindo esse erro de programação foi Neel Mehta, pesquisador da Google que verificou que a brecha poderia garantir acesso a dados privados. Hackers que saibam como explorar a falha podem interceptar o tráfego de dados, fingindo ser o servidor e dificultando que qualquer um saiba que existe algum problema no meio do caminho.


O criminoso que consegue se aproveitar do bug pode puxar até 64 k de informações da memória do servidor. O hacker normalmente não tem como saber o que virá nesses dados, mas de vez em quando é possível coletar alguns dados privados. É importante ressaltar que é possível repetir esse processo inúmeras vezes.
Como funciona o Heartbleed, a maior ameaça atual da internet (Fonte da imagem: Tecmundo/Baixaki)

Parece perigoso, mas você deve estar se questionando como o hacker vai conseguir encontrar dados secretos, sendo que eles normalmente estão criptografados. Bom, o que acontece é que os servidores de autenticação precisam manter os dados de login (usuário e senha) sempre na memória para que a conexão seja mantida.

Assim, muitas vezes os dados dos usuários vêm nesse roubo de memória e o hacker só precisa usar a senha de criptografia para descobrir os dados verdadeiros (já que normalmente tudo é criptografado e impossível de ler normalmente).

 

É realmente fácil explorar esse bug?


Na verdade, é preciso ter muito conhecimento para conseguir explorar esse tipo de falha. Mesmo os hackers mais habilidosos demoram um bocado para conseguir entrar no servidor e roubar algum dado importante.

Até algum tempo atrás, algumas empresas (como a Cloudflare) estavam dizendo que era tão difícil que dava para dizer que era impossível, de modo que a falha não representava uma ameaça real.

Pois bem, não demorou nem 24 horas para que alguns hackers conseguissem adquirir chaves SSL em servidores. Em algumas máquinas que rodavam Apache, foi possível conseguir os dados já na primeira requisição. Isso apenas deixa claro que o bug é fácil de ser explorado e pode ser utilizado em quase todos os servidores que ainda não aplicaram as correções.


De acordo com a Bloomberg, a NSA já sabia dessa falha e vem explorando isso há muito tempo. A Agência, obviamente, negou qualquer envolvimento e conhecimento da questão. Diante de tantos problemas passados, não dá para confiar muito nas declarações da NSA.

 


A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) está ciente da falha conhecida como “Heartbleed” há pelo menos dois anos, afirmam fontes não oficiais ao site Bloomberg. De acordo com “duas pessoas familiarizadas com o assunto”, a NSA, apesar de supostamente conhecer a vulnerabilidade que afetou 66% de toda a internet há algum tempo, não alertou entidade alguma ou sequer tomou providências para resolver o problema.

Em resposta ao portal responsável por veicular estas informações, a NSA é firme em declarar que tomou conhecimento sobre Heartbleed somente neste ano. “Relatórios que dizem que a NSA ou qualquer outra parte do governo estavam cientes da assim chamada ‘vulnerabilidade Heartbleed’ antes de abril de 2014 estão errados”, pode-se ler na página do escritório do diretor de Inteligência Nacional dos EUA. Ainda segundo o documento oficial, quando falhas assim são encontradas, a agência tem por dever revelá-las ao público.

Naturalmente, uma onda de ceticismo acabou por se instalar sobre todo o assunto. A NSA e o Serviço Secreto norte-americanos têm sido acusados de espionagem de dados em escala global. “Se você combinar dois órgãos em apenas uma agência, qual missão irá vencer?”, pergunta em tom provocador John Pescatore, diretor de segurança do Instituto SANS que trabalhou também durante anos junto à NSA e ao Serviço Secreto dos EUA. “Invariavelmente, quando isso acontece, a missão ofensiva é que sai vencedora”, diz o especialista.

 

Quais sites estão desprotegidos?

A essa altura do campeonato, a maioria dos grandes sites que tinham algum problema já corrigiram as falhas. Quando a bomba explodiu, e ficamos sabendo do caso, quase todos eles continham a falha no OpenSSL.

Pode incluir na lista grandes nomes como Twitter, Google (e seus respectivos sites), Facebook (e quaisquer sites desenvolvidos pela empresa), Yahoo!, Amazon, Dropbox, SoundCloud, Flickr, Foursquare e outros tantos.

Claro, assim que a correção foi liberada, todos os sites corrigiram o defeito imediatamente, evitando que seus usuários fossem prejudicados. A dúvida que fica é se algum hacker já não havia descoberto a brecha e explorado dados privados anteriormente.

É importante notar que há muitos sites menores que ainda não corrigiram o problema, sendo que você ainda pode estar correndo perigo. Normalmente, as empresas e servidores que efetuaram a atualização do OpenSSL estão enviando emails comunicando seus usuários, mas você mesmo pode verificar se aquele site que só você acessa já está seguro.
Como funciona o Heartbleed, a maior ameaça atual da internet (Fonte da imagem: Reprodução/Heartbleed Test)

Para saber se os seus sites favoritos estão vulneráveis, você pode jogar o endereço no site “Heartbleed Test”, o qual vai verificar se o bug existe ou se já foi corrigido. Basta clicar aqui, colar o endereço e pressionar o botão “Go!”. Em poucos segundos, é possível obter uma resposta.

Como posso me proteger?

Independente de qual site ou serviço você utiliza, é altamente recomendado que você modifique suas senhas para evitar que os hackers usem suas credenciais. Não há como saber se alguém conseguiu se apropriar de seus dados, portanto é bom tomar alguma atitude e evitar que eles sejam usados indevidamente.

O Heartbleed também pode ter afetado os aparelhos com sistema Android. Nesse caso, você pode seguir as instruções de um artigo que divulgamos ontem para conferir se o seu smartphone está vulnerável. É importante salientar que aparelhos com falhas no protocolo SSL só podem ter o erro corrigido ao receber uma atualização do sistema.

Enfim, toda essa história de Heartbleed apenas deixa evidente que a web não é um lugar tão seguro. Essa é apenas uma falha que aconteceu com um tipo de protocolo, mas quem sabe se não existem outros tantos bugs em outros tipos de servidores? Esperamos que esses erros não existam, para o nosso próprio bem.


sábado, 12 de abril de 2014

A arrogância autista dos neodemonizadores da Rússia no ocidente é espantosa.



A arrogância autista dos neodemonizadores da Rússia no ocidente é espantosa.

Será que diplomatas e jornalistas ocidentais falam sério quando acusam o governo russo de estar lançando uma nova Guerra Fria? Será que realmente acreditam em sua própria retórica, quando dizem que Putin tem ambições expansionistas e quer reconstruir o Império Soviético?

Será que Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA falava a sério quando disse que as ações da Rússia na Crimeia seriam semelhantes "ao que Hitler fez antes, nos anos 1930s"? Outros observadores anti-Rússia disseram também que a incorporação da Crimeia na Rússia seria análoga à anexação da Áustria pela Alemanha nazista nos anos 1930s. Será que toda essa gente acredita sinceramente na própria interpretação dos atuais eventos geopolíticos?

É sempre difícil, se não perigoso, especular sobre o processo mental que leva diplomatas poderosos e líderes políticos a dizer certas coisas. É especialmente difícil dar conta do significado da dinâmica que converteu a crise na Ucrânia em perigosa disputa internacional.

Em entrevista recente, um jornalista russo perguntou-me por que a imprensa-empresa ocidental tornara-se tão descuidada no trabalho de checar informações sobre a Ucrânia e, em geral, sobre a Rússia. Senti-me sem argumentos para responder e fui forçado a pedir tempo para pensar melhor.

Depois de analisar as declarações sobre a Ucrânia feitas por diplomatas ocidentais ao longo das duas últimas semanas, cheguei à conclusão, nada confortável, de que os motivos por trás da demonização da Rússia são decorrência de convicções sinceras.[1] Claro que há muita propaganda, distorções propositais e muita fantasia nessa campanha - mas a 'ideia geral' que a campanha manifesta foi tão profundamente internalizada por tantos no ocidente, que, agora, já constitui a realidade deles, uma espécie de para-realidade.

E o fato de que uma nova ninhada de pressupostos cruzados da Guerra Fria tenham-se autoconvencidos da 'verdade' da própria retórica pode ter consequências ainda mais desestabilizadoras do que se a campanha fosse só exemplo cínico de realpolitik à moda antiga. A realpolitik tinha o mérito, pelo menos, de ter raízes plantadas no mundo real; a atual campanha anti-Rússia, ao contrário, é baseada em confusão generalizada e, ainda pior, em autoengano.

Dois pesos e duas medidas

O autoengano do qual padece a atual diplomacia ocidental pode ser mais claramente percebido no modo como aplica dois pesos e duas medidas em suas avaliações dos assuntos globais. O autoengano simplório, quase infantil, do modo como o ocidente se posiciona em relação à Rússia foi-me apresentado, bem visível, em maio passado, numa visita a Budapeste. Depois de várias reuniões sobre o papel dos jovens na sociedade civil, tive oportunidade de conversar com jovens norte-americanos empregados de uma ONG que tem sede nos EUA e que trabalhavam na Rússia.

Durante a conversa, uma jovem ongueira, de Seattle, disse que muito se surpreendera ao descobrir que alguns funcionários do governo russo a tratavam como se ela fosse "agente de uma potência estrangeira". Vários colegas dela também se mostravam muito surpresos ante o fato de eles e a ONG para a qual trabalham serem tratados pelos russos... ora bolas!... como o que eles e elas realmente são: empregados de organizações que promovem os valores norte-americanos em outros países.

Quando me mostrei surpreso ante a reação deles, e perguntei "Mas vocês não sabem que trabalham para uma organização estrangeira e, ainda mais importante, para uma organização que critica muito ativamente o governo do país onde vocês estão trabalhando?", eles e elas simplesmente não entenderam a pergunta. Quando perguntei: "E como o governo dos EUA classificaria uma ONG russa que estivesse promovendo valores da Igreja Grego Ortodoxa nas ruas de NY"?, ninguém me respondeu.

Só quando perguntei qual seria a reação do governo do país deles, se um grupo de ongueiros de ONGs russas tivesse oferecido ajuda financeira e de pessoal para o movimento Occupy ou para o Tea Party, um dos meus interlocutores, afinal, reconheceu que eu talvez tivesse alguma razão.

Essa minha experiência em Budapeste mostrou-me o quanto é profunda a pressuposição autista, autorreferente, de autoperfeição, nas ações, e de retidão, nos próprios motivos, entre esses agentes que promovem valores ocidentais; a tal ponto, que jovens muito inteligentes nem por isso conseguiam ver que, claramente, estavam-se servindo de dois pesos e duas medidas: promover valores norte-americanos na Rússia seria 'certo'; mas promover valores russos nos EUA seria 'errado'. Por que pensam assim? Porque essa diplomacia de dois pesos e duas medidas é construída sobre o implícito de que haveria diferença essencial entre os países, no plano moral.

Esse pressuposto autorizaria os líderes ocidentais a 'dar aulas' aos seus contrapartes estrangeiros sobre comportamentos certos e errados, aceitáveis e não aceitáveis. Diplomacia de dois pesos e duas medidas, que leva um lado a tratar o outro como se o outro lado fosse criança, ou, no limite, como se fosse perfeito imbecil.

Observem, por exemplo, o à vontade com que importantes líderes políticos dos EUA e da União Europeia apareceram em Kiev, há poucas semanas, para manifestar sua solidariedade aos manifestantes golpistas.

Imaginem a reação, nos EUA e na Grã-Bretanha, se Putin ou algum alto governante russo aparecesse, distribuindo sanduíches em praças, no auge do movimento Occupy ou durante os tumultos de rua em Londres, e declarasse o apoio do governo russo aos grupos na rua. O ultraje seria cataclísmico. Mas, graças à diplomacia de dois pesos e duas medidas, com a Rússia tratada como se fosse criança, os líderes norte-americanos não veem problema algum em agir de modo que considerariam inaceitável, em outros.

Num ambiente global, onde o tráfego (tráfico?) cultural cresce sempre mais numa direção que na outra, com pequena variação e praticamente nenhuma oposição ativa, a Rússia é demonizada como sociedade atrasada e moralmente inferior, a ser condenada e, se necessário, a ser castigada, até que se modifique e aceite como seus os valores de seus críticos iluminados. E como ficam as coisas se o povo russo tiver outro padrão moral, diferente do que reina em Washington, Londres ou Hollywood? Pouco importa aos diplomatas que só sabem ver o próprio umbigo, especialistas em moral dupla, que querem-porque-querem que todos vejam o mundo como eles veem.

O ethos dos dois pesos e duas medidas é particularmente danoso no campo político. Formalmente, as elites culturais e políticas que dominam a sociedade ocidental creem nos ideais da democracia representativa. E falam da democracia representativa como pré-requisito para uma sociedade aberta.

Infortunadamente, contudo, a atual coorte de líderes ocidentais adotaram, de fato, uma atitude altamente seletiva e desonesta em relação à democracia. Entendem que eleições são maravilhosas, se eles são eleitos, ou partido ou candidato aprovado por eles. Se um partido não apreciado pelos iluminados diplomatas ocidentais vence eleições, então, para os norte-americanos, o processo democrático teria falhado; e os norte-americanos passam a trabalhar para a 'mudança de regime' mediante golpe; e o golpe se torna(ria) solução legítima.

Assim, em dezembro de 1991, a Frente de Salvação Islamista obteve vasta maioria dos votos - 181 cadeiras, de 231 - no primeiro turno das primeiras eleições legislativas livres na Argélia. O exército da Argélia reagiu com cancelamento das eleições e entregou o poder a uma comissão de cinco membros não eleitos. Ouviu-se um suspiro de alívio no ocidente e - surpresa, surpresa! - nenhuma sanção foi imposta à Argélia em resposta àquele golpe de estado.

Ano passado, foi a vez de o Egito descobrir que, quando são eleitos 'os errados', o ocidente num segundo esquece seu compromisso com o princípio da democracia representativa. Outra vez, o golpe militar no Egito derrubou o islamista Mohamed Morsi; e outra vez não se ouviu qualquer pregação, pelos políticos ocidentais, em defesa das virtudes das instituições democráticas.

E assim chegamos à Ucrânia. O governo livremente eleito do presidente Yanukovich foi derrubado pelo que se conhece convencionalmente como golpe, ilegal; pois para a imprensa-empresa ocidental a coisa não passou de "desenvolvimento democrático". Hoje, temos uma situação na qual a imprensa-empresa ocidental apresenta o novo governo ucraniano como entidade legal e, ao mesmo tempo, diz que o regime legal que realizou um referendo na Crimeia seria regime ilegal. Extraordinários dois pesos e duas medidas!

Claro, os que foram escolhidos pelo povo na Argélia, Egito e Ucrânia ao longo das décadas recentes não eram democratas agradáveis, de ideias arejadas. Nos últimos anos, os governos da Ucrânia, incluído o de Yanukovich, apresentaram poucas qualidades recomendáveis. Yanukovich, como virtualmente toda a elite política ucraniana, é membro de uma oligarquia corrupta e interesseira.

Mas, diferente de Oleksander Turchynov, que foi posto em seu lugar, Yanukovich, pelo menos, é oligarca eleito! Se os governos ocidentais agem como se não houvesse problema algum em derrubar governos eleitos que não os satisfaçam, o que aqueles governos ocidentais fazem e minar a autoridade moral da própria democracia.

Por isso na Ucrânia hoje a maior ameaça à democracia vem do comportamento dos que são cúmplices na desestabilização e no golpe que derrubou regime democraticamente eleito. Os que protestaram em Kiev tinham todo o direito de protestar e desafiar o governo. Mas, se o veredito das urnas pode ser tão facilmente desmoralizado, o maior problema é que a genuína política democrática está sendo desmoralizada. A política de dois pesos e duas medidas de Washington e da União Europeia em Kiev desmoraliza a autoridade da política democrática em toda aquela região.

Diplomatas infantilóides

Qualquer pessoa que acredite no que vê e lê na mídia ocidental encontrará motivos para pensar que a Rússia seria potência expansionista e agressiva, à espera de uma chance para capturar o vizinho estado da Ucrânia. Nada mais falso. A realidade é que, apesar de uma ou outra posição nacionalista do presidente Putin, a Rússia está convertida em potência em status quo defensivo clássico. Desde a ruptura da União Soviética, a Rússia viveu um processo no qual seu poder e influência só diminuíram.

A Rússia lutou para preservar posições no Cáucaso e enfrenta movimento islamista radical muito maior que qualquer das forças que desafiam diretamente as sociedades ocidentais. E em seu front oeste, a Rússia sente-se ameaçada por pressões políticas e culturais que lhe chegam da Europa. Nessas circunstâncias, é compreensível que muitos, na elite russa, sintam que próprio tecido nacional russo esteja sendo esgarçado.

A principal realização do ocidente, especificamente da diplomacia da União Europeia na Ucrânia, foi empurrar a Rússia para posição ainda mais defensiva. A ação da Rússia na Crimeia é, pelo menos em parte, uma reação ao que os russos percebem como interferência estrangeira sistemática na Ucrânia. Mas... o que a União Europeia esperava que acontecesse, quando tentou anexar a Ucrânia à sua esfera de influência?

Como o professor Stephen Cohen observou, esse perigoso conflito foi desencadeado "pelo temerário ultimato, em novembro, feito pela União Europeia, para que um presidente democraticamente eleito em país profundamente dividido, escolhesse entre Europa e Rússia".[2]

O ocidente alega que já vão longe os velhos tempos do século 20, quando potências globais buscavam consolidar e dominar suas esferas de influência. Mas, desde o esfacelamento da União Soviética, o que sempre se viu foram tentativas sistemáticas para aproximar das fronteiras da Rússia, cada vez mais, a esfera de influência ocidental. A linha que dividia Leste e Oeste mudou de lugar: saiu do meio de Berlim, para a fronteira da Rússia.

Nenhum russo, hoje, dará sinais de paranoia se sentir que seu país está sendo cercado e lentamente minado por forças hostis à sua própria existência. Diplomatas ocidentais que não percebam nem isso são, esses sim, os paranoicos que já perderam completamente o contato com a realidade geopolítica.

A União Europeia e os EUA agem como se não tivessem nenhuma responsabilidade pela crise na Ucrânia e pelas tensões nas relações entre o ocidente e a Rússia. É possível que o ocidente se tenha autoenganado a tal ponto sobre os assuntos globais, que já nem consiga ver o quanto o próprio ocidente é cúmplice na atual crise. Esse autoengano delirante implica que as regras normais que regem as relações internacionais já nada regem, substituídas por 'sermões' e pregações do moralismo mais oco, sempre interessado em gerar a reação mais bombástica, na mídia.

Essa corrosão da diplomacia ocidental é hoje um real perigo a ameaçar a estabilidade global. Ela mina também a autoridade moral da democracia. Num certo ponto, a política dos dois pesos e duas medidas em assuntos internacionais desmoralizará a tal ponto os ideais democráticos, que até a integridade das instituições democráticas dos próprios países agressores também ruirão, minadas por dentro. ******



* Reproduzido dia 30/3/2014, em 4thMidia, Pequim, em http://www.4thmedia.org/2014/03/30/the-infantile-diplomacy-behind-demonising-russia/ [NTs].

[1] Impossível não lembrar Film Socialisme (Godard, 2010): "O que nunca muda é que sempre haverá fascistas. O que mudou hoje é que os fascistas são sinceros") [aqui traduzido, NTs]

[2] 11/2/2014, The Nation, http://www.thenation.com/article/178344/distorting-russia# (ing.)

24/3/2014, Frank Furedi, Spiked Online*
http://www.spiked-online.com/newsite/article/the-infantile-diplomacy-behind-demonising-russia/14824#.UzgsoahdUYM

Shrine of Sayeda Zeinab

Syria’s Shrine of Sayeda Zeinab
As Syria convulsed in conflict, the fear that the Sayeda Zeinab shrine could be destroyed alarmed the faithful across the region, particularly Shiites.



SAYEDA ZEINAB, Syria — This cinder-block town near Damascus, once a hub of prayer and commerce open to the world, seems like a tightly guarded military zone.

Inside the revered shrine here, under ceilings sparkling with mirrored tiles, men and women still pray, pressing their faces to the tomb they believe holds the remains of Zeinab, a granddaughter of the Prophet Muhammad. But the streets outside, once impassable with pilgrims and shoppers, are now sparsely trafficked. Gone are the chattering picnickers who packed the shrine’s blue-tiled courtyard, now crisscrossed by armed men in unmarked fatigues.

Some, amid a sense that immediate danger has passed, display a jaunty good mood. In the courtyard recently, a man in digital-print desert camouflage like that of the United States Marines strode up to a visitor and put out his hand.

“I’m from Hezbollah,” he said.

The unofficial introduction — from a member of a reflexively discreet organization — reflected a new openness in Syria about the government’s foreign backers, as fighters with Hezbollah, the Lebanese Shiite paramilitary group and political party, grow more assured that they are helping to beat back insurgents.



As Syria convulsed in conflict, the thought that the shrine could be destroyed alarmed the faithful. Zeinab, who lost her brothers and sons in battle and came to Damascus as a prisoner, has long been honored, particularly by Shiites, as a symbol of sacrifice and steadfastness.

Religious fervor helped galvanize tens of thousands of Shiite fighters to flock from Iraq, Lebanon and across Syria, in theory to defend the shrine, in practice to fight alongside Syrian forces on many fronts. And it drove some Sunni extremists in the insurgency, who regard Shiites as infidels, to declare the shrine a target.

It has survived, but at a price.

It is presided over, in part, by foreign fighters whose role deeply divides Syrians — some effusively grateful, others enraged. And Zeinab’s story of mourning and displacement resonates anew with daily life here. Insurgent mortars have killed civilians nearby, including children. Government bombardments have shattered insurgent-held neighborhoods, followed by bulldozers leveling damaged buildings to eliminate snipers’ nests.

At the shrine, a shell chipped the minaret, and last month another clattered into the courtyard during prayers. That it did not explode is regarded as a miracle; one woman said she had seen it come to rest rolled in a prayer rug.

Hezbollah has long said that protecting the shrine was a major rationale for sending fighters to Syria, a move that upended regional alliances, deepened Lebanon’s political and sectarian divisions and turned crucial battles in the Syrian government’s favor.

Hezbollah and Syrian officials long played down the party’s role, saying the Syrian Army led the fight. But with recent victories, their calculus appears to be shifting. Hezbollah’s leader, Hassan Nasrallah, recently declared that the Syrian government was safe from collapse and that his group’s only mistake was entering the battle “late.”

Some in Syria are newly eager to catalog, as a show of strength, the added muscle from abroad, and not just from Hezbollah.


A Syrian who coordinates between government forces and Hezbollah around the shrine said that Iran’s elite Revolutionary Guards are not simply advising Damascus, but fighting near the northern city of Aleppo. Hezbollah and Iran, he said, have trained more than 100,000 Syrians, in Syria, Lebanon and Tehran, to form the National Defense Forces militias. On Tuesday, Iran delivered 30,000 tons of food supplies to Syria, The Associated Press reported.

“The game is changed,” the coordinator said, asking not to be identified for his safety. He confirmed much of what Western officials assert about the government’s foreign support, calling it a trump card that Damascus saved for the right moment.

“It is no longer a secret,” he added. “It is on the table.”

The government could not have advanced on the Lebanese border and east of Damascus without Hezbollah’s expert fighters, he said. But the bulk of Shiite volunteers, he added, are Iraqi Shiites, lightly trained in Iraq and sent to front lines in Damascus suburbs like Qaboun and Jobar because “we need numbers.”

But now, after new training as the Abu Fadl al-Abbas brigades, the Iraqis are “able to do something, not just coming to be killed,” the coordinator said.

While President Bashar al-Assad and many security leaders belong to the Alawite sect, related to Shiism, they consider themselves secularists allied with Iran and Hezbollah for strategic and political, not religious, reasons. Syrian Shiites are a tiny minority. Yet now, some government fighters embrace Shiite iconography. Shoulder patches show Mr. Assad in Hezbollah’s green and yellow colors, sometimes alongside Mr. Nasrallah.

Before the war, the town of Sayeda Zeinab was mostly Sunni. Residents, some of whom have fled, mingled easily with Iranian Shiite pilgrims, who brought brisk business. Refugees from conflict, first Palestinians and then Iraqis, found a haven here.

But now, an aid worker said, Iraqis have faced sectarian pressure to fight; insurgents recruit Sunnis, and pro-government fighters dragoon Shiites. And one Iraqi Sunni, the worker said, fled after being confronted by the same Shiite Iraqi militiaman whose threats had driven him from Baghdad.

One recent afternoon, a Syrian Shiite fighter was buried in a cemetery beside the shrine. Hezbollah and Syrian flags fluttered from scores of new graves, some adorned with red teddy bears or snapshots of the dead with the gold dome.

Loyalties here can cross sectarian lines. As weeping women leaned on tombstones, two others, Lamia Abdelrahman Shahdeh and Fatima Abbas Mohammed, visited the graves of their sons, a Sunni and a Shiite who they said had died together fighting insurgents.

Mourners welcomed reporters. They thanked Iran and the volunteers from Hezbollah and Iraq, who are buried free of charge. A government militiaman, a friend of the Syrian fighter, said all were united to “defend the land.” He also factored in Shiite theology, citing an end-times prophecy that a great battle in Damascus heralds the coming of the Mahdi, a saviorlike figure. “The Mahdi is coming,” he said, to nods. “There will be lakes of blood.”

The government now controls the long-contested road from Damascus to Sayeda Zeinab and the airport. Near the shrine, life is trickling back. But a once-festive destination is now somber. Many here came from the Shiite villages of Nubol and Zahra, fleeing insurgent attack. Their stories mirror those under government attack: children’s body parts picked from rubble, relatives kidnapped, sons killed fighting.

Umm Osama fled from Nubol, riding a truck to Turkey and flying to Damascus. Still, she fears locals and nearby insurgents who she says will kill her family for being Shiite and pro-government.

“I don’t trust those dogs,” she whispered. “These days you don’t trust anyone.”

In the shade of the shrine, women from Nubol said that their prayers, once wishing for more children, now focus on kidnapped relatives or sons in the army. Before, they said, the courtyard was a place to barbecue, sleep and take pictures.

“Now it’s not allowed,” one said. “Most of the women are crying, but their souls are relieved when they come.”

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Leila Khaled for "The Wall has Ears: Conversations for Palestine."

Leila Khaled: 'For me, Palestine is paradise'



Frank Barat is an activist based in Belgium and is one of the former coordinators of the Russell Tribunal on Palestine. He recently conducted an interview with Leila Khaled for "The Wall has Ears: Conversations for Palestine."

Leila Khaled is a former resistance fighter with the Popular Front for the Liberation of Palestine. Born in Haifa but forced to flee to Lebanon in 1948, she gained worldwide notoriety for her role in the PFLP's strategy of hijacking aircraft carriers in the late 1960's and 1970's.

How are you Leila? What are you doing nowadays in Amman?

I am fine as long as I am a part of the struggle for freedom, for our right of return and for an independent State with Jerusalem as capital. I know it is not going to happen in the near future, but I am fighting nevertheless. Here in Amman, I am the chief of the department of refugees and Right of Return in the Popular Front for the Liberation of Palestine.

You are a Palestinian refugee, one of 6 million. Do you still think that you will return one day? And what do you make of the conditions of the Palestinian refugees in Lebanon, who are denied their most basic rights and yet, are sometimes criticized for trying to improve their lives in Lebanon as this might affect their right of return to Palestine?

The Palestinians were distributed to different countries. Each country has had an impact on the people living there. Those in Lebanon, in the 70s and 80s, until 1982, were the ones that helped the armed struggle, that helped defend the revolution. Israel was attacking and invading all the time and occupying parts of the country as well. After 1982, the main mission of the Palestinians was to achieve their rights, their civil and social rights, which they are deprived o in Lebanon. This will enable them to be involved in the struggle for the right of return. The Palestinians in general take the Right of Return as a concept and as a culture. Any Palestinian will tell you that he fights for his social and civil rights, but this means that he is preparing himself for his return. The two are inseparable.

The question of the refugees, in the negotiations, has, in the last decade, become more and more obsolete, something that is no longer an inalienable right but something that can be negotiated. The same applies to the last round, the "Kerry negotiations." What do you make of this? And what do you think is going to happen after April 29 when the negotiations are supposed to end?

The PFLP and myself personally have been against the negotiations since 1991. The problem is that the two parties are sticking to their guns. The Israelis think that Palestine is the land for the Jews all over the world. The Palestinians are sure that the land belongs to them and that they were forced out in 1947/1948. When this conflict moves from one stage to the next the two sides are considered as even in their power but the fact is that we are not (this is just an illusion). The leadership chose to go for the Oslo Accords, thinking that this was a step forward in achieving the main rights of the Palestinians. Some people believed this, but they discovered, after twenty years, that it was nonsense. It brought catastrophe on us. There are more settlements than ever, twice more than before Oslo, the number of settlers has doubled, more land is being confiscated, and, of course, the Wall has been built. The apartheid wall. Israel is an apartheid state.

These negotiations, now, are meant to help Israel and not the Palestinians. We have already experienced what Israel means by negotiate. Israel never respects its promises, its obligations, and simply continues its project of making Palestinians' lives hell. My party and I are against this last round of negotiations too, of course. Especially now. The Americans are supporting an Israeli project that will only help Israel. There was an agreement, sponsored by the Americans, which said that you had to stop settlements in the West Bank and that 104 prisoners should be released on three different dates. Now, the Israelis have said no, we will not abide by this agreement and we will not release the last batch of prisoners. By the way, those people who are released, are often put back in jail shortly after anyway. This is what the Israelis refer to as the rotating door policy. The politicians say that the prisoners should be released but they are then rearrested. Many of them are already back in jail. It is very clear from this that the Israelis are not ready to make peace with the Palestinians. They are also taking advantage of the fact that the Arabs are occupied with many other issues, and do not support the Palestinians. Nobody is therefore going to condemn Israel when they flout the agreements they sign.

Also, what does Kerry want? What is his plan? Nobody knows. It's all verbal. Nothing is written. The leadership should refuse what Kerry offers. By the way, Kerry did not go back to Ramallah with another offer. Which means that the Palestinian Authority (is going to use its second option and go back to the UN then, today, in the news, the US has again said that it will object to such a move. What does this all mean?

I do think that we need first to consider the nature of the State of Israel. Secondly, we have to understand more about their projects and plans. Thirdly, we know that the Israelis are much more powerful than us in some respects. But we are also powerful. It all depends on our people. We have the will to face the challenges that the Israelis are putting in front of us. There is an English saying that says: "When there is a will, there is a way". We still believe that this is our right and that we have to struggle for it. We have struggled, we are struggling, and we will struggle. From one generation to another. Freedom needs strong people to go and fight for their dreams. That is why I do not think that there will be a settlement now. The Americans always want to prolong the negotiations. This will not help.

If negotiations do not bring peace to the Palestinians, what will? What should the leadership do?

Resist! That's how you achieve your rights as a People. History has shown us that. No People achieved their freedom without a struggle. Where there is occupation, there is resistance. It is not a Palestinian invention. We are actually going to call for a conference to be held under the auspices of the UN, just to implement the resolutions taken by this body on the Palestinian question. Resolution 194 calls on Israel to accept the return of the refugees. Fine, let's put the UN on the spot. Let's have a conference reminding people of this. The problem is that the references to any negotiations that have taken place were drafted by the Americans, which we know are biased towards Israel.

PLO stands for Palestine Liberation Organization. Do you think it has lost its true meaning? Bassam Shaka in 2008 told me that the PLO, before anything, needed to go back to its roots as a liberation movement.

No liberation is achieved without resistance. My party has not changed. It has stuck to its original program. We are calling to escalate the resistance. People talk about popular resistance. It does not only mean demonstrations. Using arms is also popular. We have people who are ready to fight.

What does peaceful and non-violent resistance means for someone like yourself, who chose armed resistance as a mean for liberation?

Resistance takes more than one face. It can be all kinds of resistance. Non-violent and violent. I am OK with those who choose non-violence. We are not going to liberate our country by armed struggle only. Other kinds of resistance are necessary. The political one, diplomatic one, the non violent one. We need to use whatever we have got. For more than 10 years now, people have been demonstrating in Bilin, in Nabi Saleh....protesting the wall and the annexation of the land. How is Israel dealing with it? Violence, tear gas, bombs... Do you think it is acceptable to have an army with a huge arsenal, against people holding banners? I am OK with using all means of resistance. We cannot say that non-violent resistance alone will achieve our rights. We are facing an apartheid State, Zionism as a movement, the Americans, and in general, the West, which supports Israel. When the balance of forces changes, then we can start thinking about negotiating.

It is always easier to advocate for armed resistance when the general public knows who is the oppressor and who is the oppressed. Your actions in 69 and 70 were about that, correct? To put Palestine on the map. Do you think the educational process of showing another face of Palestine, showing that the Palestinians have legitimacy and are in the right, has been done enough since the 70s?

Let's take the example of Vietnam. Or of Algeria and South Africa. People needed time to convince the whole world of the just cause of their struggle. It took time. In the end, the world realized that those who are oppressed have the right to resist the way they want to. Nobody can impose a form of resistance on us. We chose armed struggle. We did not achieve our goals. Then the intifada broke out and the whole world took us seriously. We gained the support of people all over the world. Still, we did not reach our goals because the leadership was not brave enough at that time to escalate the intifada, to take it to another level. Israel was ready to accept to withdraw from the West Bank and the Gaza Strip. But our leadership failed us. The intifada was the choice of the people. If you go back to the beginning of the resistance and holding arms. It was a necessity for the Palestinians after 1967. We depended on the Arab countries to restore our homeland. But they failed us too. Israel occupied more of Palestine. So we decided to take our destiny into our hands. By waging an armed struggle. Nowadays people are waiting but they realize that these negotiations will get us nowhere. Our past experiences with Israel have shown us that they cannot be trusted. They do not respect their words. Threaten us all the time. Abu Mazen is not a partner for peace? Who is? Sharon? Netanyahu? This right-wing government? This is not a government, it is a gang, essentially, which represents the settlers, the fascists, the racists. The lie began last century. That this was the land of the Jews. The bible gave it to them. Is this democratic? The world in 1948 accepted this lie. God promised us the land! As if God was an estate agent. This is a colonial project. This is the main issue of the conflict.

The struggle is about ending Israel's settler colonial project, then, ending apartheid. What will happen, in your opinion, the day after? The day after victory? An Algerian like solution, or a South African one?

We have always offered the more human solution. A place where everybody lives on an equal basis. Jewish, Muslims, I do not care about the religion of the person. I believe in the human being itself. Human beings can sit together and can decide together the future of this land. But I cannot accept that I do not have the right, now, to go back to my city. Like six million Palestinians. We are not allowed to go there. We are offering a human and democratic solution. Nobody can tell me that we cannot decide the fate of our country because we are refugees. What happened to us is a first in history, as far as I know. People being chased away from their homes and another people, coming from very far away, taking their places. The Israelis were citizens of other countries. Israel, thanks to various organizations, before 1948, built an army, Okay, but there was no society. They brought people from outside. Even now, there are huge contradictions in this country and this society. People come from different cultures, some do not even speak Hebrew. We do not want more blood, but are obliged to resist. We have the right to live in our homeland. When the Israelis realize that as long as they do not budge this conflict will be endless, they should accept our solution. Some Israelis have already understood that. That you cannot go on fighting forever. What for?

Can you talk to us about the role of women in the resistance. And do you think your actions, the hijackings in 69 and 70, did more for Palestine, or for women around the world, or both?

The hijackings were a tactic only. We wanted to release our prisoners and were obliged to make a very strong statement. We also had to ring a bell, for the whole world, that we the Palestinians are not only refugees. We are a people that has a political and a human goal. The world gave us tents, used- clothes and food. They built camps for us. But we were more than that. Nowadays there are plans to end the camps, because they are a witness of 1948. Women, are part of our people, they feel the same injustices. So they get involved. Women give life. So they feel the danger even more than men. When they are involved, they are more faithful to the revolution because they defend the lives of their children too. When I gave birth to two children, I became more and more convinced that I had to do my best to defend them and build a better future for them. I felt for women who had lost their children. So I think my actions had an impact on both, to answer your question. The popular front slogan was: "Men and Women together in the struggle for the liberation of our homeland." The PFLP implemented that by giving a place to women in the military. At the same time, women also played a big role in defending the interior front, the families. Thousands of Palestinian women are now responsible for their families. After all the wars, the massacres, the arrests, the killings by Israel, these women protected their families from being dispersed. Also, women are now educated, they work, they travel, go to university and so on. Before the revolution, it was not like that. Now it is. And it is a must. You can see that women are involved in many aspects of the struggle and society. Whether it is inside or outside Palestine.

Lina Makboul who directed the film "Leila Khaled; Hijacker" implies in her last question in the film that your actions did more harm than anything to the Palestinian people. The film stops right after the question. What did you answer?

She told me she did this for cinematic purposes. But I did not like that. The fact that people could not hear my answer. My answer was no, of course! My actions were my contribution to my people, to the struggle. We did not hurt anyone. We declared to the whole world that we are a people, living through an injustice, and that the world had to help us to reach our goal. I sat with Lina for hours and hours you know, telling her the whole story. She told me afterwards that Swedish TV only wanted the question.

Do you sometimes reflect on the past? What was done, what could have been done, what could have been done differently, when you see the current state of affairs? What went wrong?

Recently my party has held its seventh conference and reviewed its positions. We then made a program to widen our relations with the progressive forces around the world, especially on the Arab level. We also decided to strengthen our interior structure. I also learned that I had to review my own positions, my own thinking. Every year, around December, I look back at the past year and then decide to do something for the coming year. This year, I decided to quit smoking, so I did.

Mabruck!

I made this decision and it was easy for me to implement it.

Why has Palestine, in your opinion, become such a symbol for the solidarity movement?

Palestine for me is Paradise. Religions talk about paradise. For me, Palestine is paradise. It deserves our sacrifices.

Interview originally published on "The Wall has Ears: Conversations for Palestine" on April 3, 2014.