quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Nakba: Angústia e Terror sobre os palestinos










Autor : Rodrigo Souza






Um fazendeiro, pai de nove filhos. Era um homem que cruzou muitas fronteiras e muitas vidas. Nascido cidadão do império otomano, em 1923 passa a ser libanês quando França e Inglaterra brincaram com a vida e a morte, a sorte e o azar de pessoas e suas histórias, ao dividirem entre si as terras no Oriente Médio. Muitos contam que viemos da terra. Somos pó. A terra fora dividida e repartida, Inglaterra com a Palestina, França com o recém-criado Líbano, o fazendeiro se descobriu libanês, uma palavra nova. Paris cedeu a Londres uma porção libanesa e a Inglaterra deslocou a Palestina mais para o norte e, na política da “boa vizinhança”, a França cedeu esses mundos de vivências, essas terras, em troca de uma concessão para uma empresa francesa drenar pântanos na região. Inclui-se o povoado de Salha, onde Nimr Aoun vivia casado com uma jovem, cultivador de campos de trigo.


Se tornou cidadão palestino e súdito da corte inglesa. Atravessou muitas mortes. Em outubro de 1948 inundaram-nos com folhetos dizendo que se nos rendêssemos, não nos fariam nada. As mulheres e crianças já haviam fugido. De modo que acreditamos no que os folhetos diziam e nos rendemos. Mas os israelenses mentiram. Amaldiçoaram-nos e obrigaram setenta de nós a se manterem juntos. Renderem-se? Renderem-se por que? Mulheres e crianças fugiram do que? A operação de extermínio se chamava Operação Hiram. Deu o SENHOR sabedoria a Salomão, como lhe havia prometido. Havia paz entre Hiram [rei de Tiro] e Salomão; e fizeram ambos entre si aliança. (1º livro dos Reis de Israel, 5:12) Atravessou muitas vidas, muitas mortes. Quando estávamos todos juntos, abriram fogo contra nós. Havia treze tanques em volta. Não tivemos a menor possibilidade. O que me ajudou foi que depois que atiraram em minha perna, caí sob um monte de corpos. Sangrava tanto que eu não sentia nada.


Quando a noite chegou, saí rastejando, passei ao lado de um dos tanques, depois avancei pelo mato, até que encontrei um burro. Amir se tornava agora um refugiado palestino. No ano 2000, virada do século, vivia a 40 Km do povoado de Salha, vendo de perto o cerco de pomares de macieiras israelenses [1]. Essa é uma história das muitas vidas e mortes que circundam o tempo da Nakba.


 Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói, e já não admite cura? Serias tu para mim como um lago falso, como ribeiro de águas ilusórias? Livro do Profeta Jeremias 15:18 Os Caminhos da História “Nakba” – “A Catástrofe” – é o termo empregado para a tragédia humana do período, de dezembro de 1947 a janeiro de 1949, que abrange os eventos nos quais um imenso contingente de palestinos foram massacrados e expulsos; entre 400 e 600 de suas aldeias foram saqueadas e seus conglomerados urbanos ficaram quase inteiramente extinguidos. Um grande trauma e ferida aberta em nossa história recente, pouco conhecida do público no Brasil, ignorada por Hollywood.


Neste instante, ouça um silvo, um moinho na areia quando os olhos pesam na luz turva e alaranjada, seguindo o zéfiro e a poeira enovelada pelo deserto e por impérios e vilarejos, feiras e caravanas comerciais, navios e canhões, soldados e camponeses, danças e rezas. Percorramos um caminho histórico para chegarmos a um invólucro donde retornamos à nossa história. No ano de 131 do nosso calendário eclodiu a chamada Terceira Revolta Judaica, contra um programa de “romanização” cultural e socioinstitucional sobre a província da Judeia dirigida pelo imperador romano Adriano. A revolta foi esmagada no ano de 135.


O imperador reconstruiu a cidade de Jerusalém, destroçada, rebatizando-a como Aelia Captolina, efetuando expulsões em massa de judeus da cidade, mudando o nome da província da Judeia para “Síria Palestina”, agora greco-romanizada. Jerusalém foi palco de lutas internas pelo poder no império romano, com a província subdividida em unidades administrativas no ano de 390 d.C. A região foi experimentando decadência institucional e econômica. Porém, na Galileia, entre os séculos III e IV os rabinos constituíram uma relativa elite fundiária, outros foram patrocinados por ricos proprietários rurais [2].


No ano de 603 eclode a maior guerra até então entre Roma e a Pérsia. Os persas tomaram a Aelia Capitolina no ano de 614 e entregaram a liderança interna aos judeus, até que em 622 os romanos reconquistaram-na[3]. O califa muçulmano Omar, da tribo dos Coraixitas, a mesma de Maomé, inicia a conquista da região a partir de Gaza, em 634, e após conquistar a Síria em 635, conquista Jerusalém dos bizantinos no ano de 638. Reforma o templo judaico, em ruínas desde o ano de 70 e usado na época como aterro de lixo – batiza-lhe de “Haram-al-Sharif”, “O Mais Nobre Santuário”. Reabre a cidade para novamente ser livremente habitada por judeus, se convertendo num centro multicultural de convivência de cristãos bizantinos, nestorianos, arianos, monotelistas, judeus e muçulmanos[4].


Por 1300 anos a região siro-palestina foi predominantemente habitada por árabes. Em 1799, com as conquistas de Napoleão no extremo norte da África e Oriente Médio, cerca a Palestina como parte da campanha contra os exércitos do Império Otomano, que controlava a região. Ele lança um apelo através de uma carta circular aos judeus no mundo oferecendo um lar para os judeus na Palestina sob proteção francesa, em busca de aliados para solidificar o controle francês na região. Porém, posteriormente com a emergência e crescimento de movimentos dentre os judeus europeus que pregavam a necessidade de constituírem uma pátria em um Estado Nacional próprio, acompanhando os demais nacionalismos modernos, não havia consenso sobre onde seria tal Estado: Argentina, regiões africanas, Palestina…


O intelectual judeu Benjamin Disraeli, articulado no movimento sionista, foi designado pela rainha Victoria como primeiro-ministro britânico em 1868. Dez anos depois colocava a pauta da “restauração de Israel” na ordem do dia do internacional Congresso de Berlim, que discutia as partilhas e limites coloniais das principais potências. No começo do século XX a região palestina era dominada pelo império otomano, turco, que experimentava decadência e sofreu grandes derrotas por parte de potências europeias (que lhe conquistavam regiões desde o século XIX, como a tomada da Argélia pelos franceses em 1830.


Em 1912 o Tratado de Fez declarou o Marrocos protetorado francês, nesse tempo Síria e Líbano também se tornaram protetorados franceses e em 1916, o acordo Sikes-Picot desmembrou o Império Otomano e partilhou regiões entre as potências, Rússia (fragilizada, somente deu a anuência formal) França e Grã-Bretanha (as signatárias). Lideranças sionistas viram aí abertas grandes oportunidades para conquistarem um estado nacional judaico. Charles Weizmann, então uma das mais proeminentes lideranças do movimento sionista, com grande trânsito junto ao secretário de guerra e depois primeiro-ministro britânico Lloyd George (que disse sobre Weizmann que “estará na mesma altura que o de Neemias na fascinante e inspiradora história das crianças de Israel”[5]), escreveu em 1914: Se a Palestina ficar sob a esfera de influência britânica e, se a Inglaterra encorajar um assentamento judaico ali, como um protetorado britânico, nós poderíamos ter em vinte ou trinta anos mais de um milhão de judeus[6].


O Mandato Britânico na Palestina foi oficializado em 1920. Três anos antes, o secretario britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, remeteu ao banqueiro sionista Lord Rotschild um bilhete que viera ser conhecido como Declaração Balfour, afirmando o compromisso do governo em estabelecer um estado nacional judaico na Palestina. Arthur Balfour escreveu em um memorando de agosto de 1919: As Quatro Grandes Potências [ sendo estas Inglaterra, França, Itália e Estados Unidos] estão comprometidas com o Sionismo. E o sionismo, esteja certo ou errado, está enraizado em tradições antigas, em necessidades presentes e em esperanças futuras de muito maior importância do que os desejos e preconceitos dos 700.000 árabes que agora habitam esta terra antiga. (…)


Qualquer que seja o futuro da Palestina, não será o de uma ‘nação independente’. Apesar de qualquer consideração que possa ser prestada aos que vivem ali, as Potências, ao selecionar o mandatário, não pretendem consultá-los” [7]. Foi pouco depois de 1920, após essas terras e povos terem sido objeto de joguete das potências, o termo “Nakba” emergiu, tendo sido consagrado depois para o período pelo qual hoje é conhecido.


 Em 1922 o Instrumento Mandatário rezava: Artigo 6º: A Administração da Palestina, enquanto garante que os direitos e a posição de outros setores da população não sejam prejudicados, deve facilitar a imigração judaica sob condições desejáveis e deve encorajar, em cooperação com a Agência Judaica referida no Artigo 4, o assentamento de judeus na terra, incluindo terras do Estado e terras desocupadas não requisitadas para propósitos públicos. Com efeito, a partir do Acordo Sikes-Picot, incentivou-se a chegada em massa de judeus à Palestina.


Em 1914 estima-se que viviam na região 85.000 judeus, com 580.000 árabes (85% muçulmanos e 15% cristãos). De 1905 a 1914 emigraram cerca de 30.000 judeus para a Palestina. À medida que aumentava a imigração, aumentava também a identificação da comunidade judaica com o movimento sionista. (…) Os fatores não-sionistas e antissionistas transformaram-se em minoria insignificante, passando a ser necessária uma boa dose de sofisticação intelectual para continuar fazendo a antiga distinção. Não seria razoável esperar que o grosso da população árabe, assim como as multidões encolerizadas que dela faziam parte, continuassem a fazer essa distinção [8].


Em 19 de abril de 1936 desencadeou-se uma greve nacional dos palestinos em protesto ao programa de imigração e colonização judaica em mas os palestinos lançaram uma greve nacional para protestar contra a imigração judaica em massa, e os britânicos responderam com força. A greve foi dispersada em seis meses, com quase 200 mortes e mais de 800 de feridos entre palestinas. Estes, a partir daí, observaram que a despeito das campanhas terroristas sionistas contra o Mandato Britânico na região, ambos possuíam uma aliança estratégica. Aaahn? Terrorismo? Isso mesmo? Colonialismo: O Desastre Nascendo e Tomando Corpo Para mim, não sois vós como os filhos dos Kushitas, ó filhos de Israel? – palavra de Adonai. Acaso não tirei eu Israel da terra do Egito, os filisteus de Kaftor e Arâm, de Qir? Livro de Amós, 9:7 Os sionistas articularam forças terroristas, sendo as principais: Irgun (cujo líder terrorista, Menachen Begin, se tornou o sexto primeiro-ministro israelense em 1977), Lehi, Gang Stern – e paramilitares – Haganah – primeiramente como forças para atacar britânicos, pressionando-lhes a conceder mais rápido o controle da terra, e depois para aterrorizar e expulsar árabes. Irgun e Lehi recrudesceram sua estratégia de ataques indiscriminados de 1937 a 1939, plantando bombas e lançando granadas em lugares lotados, como paragens de veículos, centros comerciais e mercados[9].


A Haganah foi uma organização judaica que promovia ataques terroristas contra ingleses, incluindo civis, durante o Mandato Britânico na palestina. Chegara a ser protegida por palestinos do vilarejo de Huj, que lhes escondiam, na década de 20 contra a investida do exército inglês. Em 1946, junto com a Irgun chefiada por Menachem Begin, realizam a operação Malonchick, em um atentado ao hotel King David, matando cerca de 96 pessoas, a maioria inglesa. Após a independência de Israel, ela se torna a Etzel (Organização Militar Nacional na Terra de Israel), que passa a promover atos terroristas e chacinas contra árabes. A compilação de declarações que temos de lideranças judaicas daquele tempo nos permite compreender o pânico que se instalava na população árabe e que seu temor de que havia algo muito grande acontecendo com a política de imigração e ocupação judaica era justificada. Ben Gurion, o proeminente líder trabalhista judeu, afirmava no Congresso Sionista de 1937:


“Aquilo que é inconcebível em tempos normais torna-se possível em períodos revolucionários; e se neste momento a oportunidade é perdida e o que é possível nesses momentos de exaltação não vem a ser concretizado todo um mundo é perdido”. (…) “O Estado judeu terá um exército fora do comum – não tenho dúvidas de que estará entre os mais espetaculares do mundo – e assim estou certo de que não seremos impedidos de nos assentarmos no resto do país, mesmo que fora do acordo e entendimento mútuo com os vizinhos árabes”. “(…) crescente força judaica na Palestina aumentará nossas possibilidades de promover uma transferência em larga escala” [10]. A Comissão Shaw, encarregada de relatar conflitos promovidos pelos árabes, reportava em 1929: É óbvio que as relações entre as duas raças durante a década passada devem ter diferido das que prevaleciam antes. Disso encontramos muita evidência.


Os relatórios da Corte Militar e da Comissão local que, em 1920 e 1921, pesquisaram os distúrbios daqueles anos, chamaram atenção para a mudança na atitude da população árabe em relação aos judeus na Palestina. Isto também surgiu durante nosso inquérito, quando representantes de todas as partes nos disseram que antes da Guerra judeus e árabes viviam lado a lado – senão em amizade, pelo menos com tolerância, uma qualidade que hoje em dia é quase desconhecida na Palestina [11]. O processo migratório colonial só se intensificava. O “Estudo sobre a Palestina Anglo-Americano (1945-6)”, informe que o Mandato Britânico repassava à Liga das Nações, relatava “Embora considerações de ordem diferente se apliquem à imigração árabe, esta merece consideração especial, pois, de um total de 360.022 imigrantes que entraram na Palestina entre 1920 e 1942, apenas 27.981, ou 7,8% eram árabes.


Deste modo, o número de unidades residenciais destinadas a abrigar imigrantes árabes foi calculado sobre a mesma base utilizada no caso dos judeus”. Ou seja, naqueles vinte e dois anos, a população judaica a invadir a região fora de 92,2%. A Comissão Real Peel, formada para investigar distúrbios árabes na Palestina, chefiada pelo Lord britânico cujo nome serviu para batizá-la, apontou em 1937 em seu relatório: Estimular a imigração judaica na esperança que pudesse levar à criação de uma maioria judaica e ao estabelecimento de um Estado judeu com o comprometimento ou ao menos a aquiescência dos árabes era uma coisa.


O Comitê Especial das Nações Unidas para a Palestina – UNSCOP – expressava em um comunicado: O sr. Sommerfelt, da Comissão Permanente da Organização Internacional de Refugiados, admitiu que uma propaganda considerável vem sendo conduzida pela Agência Judaica, ou em seu nome, nos campos de deslocados de guerra, com o objetivo de induzir os judeus a emigrar para a Palestina, apesar deque ele notou que aqueles que estão nestes campos, como regra geral, concordam que, se lhes fossem dada a oportunidade, iriam para lugares que não a Palestina [12]. De fato, houve relatos de que após o término da Segunda Guerra, forças paramilitares judaicas coagiam judeus europeus a emigrarem para a Palestina, com casos de espancamento de judeus austríacos que haviam se recusado. Lideranças proeminentes como Aharon Zisling declaravam não haver nada de moralmente condenável na ideia da transferência populacional compulsória dos habitantes árabes palestinos: Não nego nosso direito moral de propor a transferência populacional.


Não existe problema moral numa proposta destinada a concentrar o desenvolvimento da vida nacional; o contrário que é verdadeiro – numa nova ordem mundial, esta pode e deve ser uma nobre visão humana. Registrado no dia 20 de dezembro de 1940, constava no diário do Chefe do Departamento de Colonização da Agência Judaica, Joseph Weitz: Deve ficar claro que não há lugar no país para ambos os povos. (…) Se os árabes o deixarem, o país será amplo e espaçoso para nós. (…) A única solução é uma Terra de Israel (…) sem árabes. Aqui não há lugar para compromissos.(…) A única solução é transferir os árabes daqui para os países vizinhos, e transferi-los a todos, exceto talvez os de Belém, Nazaré e a velha Jerusalém. Nem uma única aldeia deve ser deixada, nem uma única tribo beduína. A transferência deve estar voltada para o Iraque, a Síria e mesmo a Transjordânia. Para este objetivo serão encontrados fundos.(…) E somente depois dessa transferência o país será capaz de absorver milhões de nossos irmãos, e o problema judaico deixará de existir. Não há outra solução [13]. Em maio de 1942 foi promovido o Congresso Sionista em Nova Iorque, no Hotel Biltmore.


Foi decidido fortalecer a política de emigração em massa para o “lar nacional judaico” na Palestina. A Catástrofe Varrendo como Tempestade Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu fígado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; pois desfalecem o menino e a criança de peito pelas ruas da cidade. Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho? Livro das Lamentações, 2:11-12 A Assembleia Geral das Nações Unidas lançou em 1947 a Resolução 181, versando sobre a criação de um Estado Judeu, um Estado Palestino e áreas sob regime especial internacional abrangendo as cidades histórico-religiosas emblemáticas de Jerusalém e Belém.


Ao estado judaico foi concedido 56% da terra; a cidade de Jaffa foi incluída como um enclave do estado árabe, e a área hoje conhecida como Faixa de Gaza foi separada das suas áreas agrícolas circundantes, que ficaram como zonas de armistício. Dos 57 países membros, apenas Tailândia não compareceu; foram 33 votos a favor, 13 votos contra e dez abstenções[14]. A sessão, de 29 de novembro, foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Este é considerado um “herói” pelo sionismo. Contudo, era uma peça importante em círculos antissemitas do governo brasileiro à época. Foi empossado como chefe do Itamaraty em março de 1938; em setembro emitira uma circular nº1249 restringindo a imigração judaica ao Brasil. Participou da promoção de mais leis de restrição imigratória judaica, assediando também funcionários de embaixadas que porventura facilitassem. Articulou o decreto nº 3.175 de janeiro de 1941 suspendendo as emissões de vistos que ficaram abertas apenas a portugueses e estadunidenses e suspendendo em 1942 a imigração de judeus, concomitante organizações judaicas faziam pedidos de socorro ante ao massacre que ocorria na Europa.


Os interesses de Oswaldo Aranha na Resolução eram dois: a) diplomacia com as forças aliadas vencedoras b) que judeus deixassem de emigrar para o Brasil, agora que passariam a contar com um Estado próprio. Aranha tinha pavor ao considerar que judeus participaram amplamente da Revolução Russa de 1917[15]. Menachem Begin, então agente terrorista da Irgun, afirmou pouco depois da aprovação da Resolução : Minha maior preocupação nesses meses era de que os árabes pudessem aceitar o plano das Nações Unidas. Então nós teríamos uma grande tragédia: um Estado judaico tão pequeno que não poderia absorver todos os judeus do mundo [16]. Início de 48, Jospeh Weitz proclama: É possível que tenha chegado o momento de aplicar nosso plano original: transferi-los para a Transjordânia. Agentes oficiais pretendiam que, dentro de suas fronteiras, o estado israelense tolerasse no máximo uma minoria árabe de 15%. [17] Desencadeia-se a Nakba. Elabora-se o Plano Dalet, conhecido também como “Plano D”, elaborado nos fins do terceiro trimestre de 1947, tendo como protagonista a Haganah [18].


Somente entre os dias 19 a 20 de fevereiro de 1948, em 130 ataques, várias comunidades foram expulsas pela Haganah e várias outras perseguidas pela Irgun [19] No final de março de 1948, trinta aldeias foram completamente despovoadas de sua população árabe palestina. Aproximadamente 100.000 árabes palestinos haviam fugido para partes árabes da Palestina, como Gaza, Beersheba, Haifa, Nazaré, Nablus, Jaffa e Belém [20]. Em 9 de abril, o mesmo dia lembrado como “O Dia do Holocausto”, cai as trevas do emblemático Massacre de Deir Yassin. Assim narra uma testemunha militar israelense: Sofremos um revés diferente em 09 de abril, quando unidades combinadas da Irgun e Gang Stern executaram um ataque deliberado e não provocado contra a vila árabe de Deir Yassin, no lado ocidental de Jerusalém.


Não havia razão para o ataque. Era uma vila tranquila, que havia negado a entrada às unidades de voluntários árabes de outros países, e que não tinha se envolvido em nenhum ataque às áreas judaicas. Foi um ato deliberado de terrorismo” [21]. A Comissão Britânica relatou dias depois que “muitas atrocidades sexuais foram cometidas pelos atacantes judeus. Muitas jovens mulheres foram estupradas e depois trucidadas. Mulheres idosas também foram molestadas [22]. Além de Deir Yassin, houve massacres próximos a Tabarié, de Safad, bombardeios em Haifa e Acre, propaganda alarmista em árabe, queima de colheitas… “a política habitual da Haganah e da FDI consistia em reunir e expulsar os habitantes remanescentes, geralmente idosos, viúvas, aleijados de áreas já evacuadas pela maioria dos habitantes” [23].


Em Lyida tombaram cerca de 450 palestinos mortos em massacre e 350 em marcha forçada. Choro e ranger de dentes. Adiante, um foto consumindo; por detrás, uma chama abrasava. O sol se convertia em trevas, e a lua em escuridão. Mensagens radiofônicas, de equipamentos espalhados nas comunidades e estradas, semeavam sinais de pavor. Gemidos, gritos por socorro, grunhidos de desespero, ameaças, narrações de mutilações e mortes, palavras de ordem, constituíam a tática de aterrorização psicológica para acelerar as evacuações.


A Haganah produzia emissões em língua árabe em auto-falantes instalados em vans anunciando que “chegou o dia do julgamento”. Intimava a população a “evacuar imediatamente as mulheres, as crianças e os velhos, e enviá-los para um porto seguro”. O objetivo primordial era a desmoralização. Entidades sionistas, durante um tempo, alegavam que lideranças árabes conclamavam às fugas. Mas várias evidências encerraram a questão. Dentre elas, dois estudos independentes que analisaram interceptações de emissões de rádios na região pela CIA e pela BBC, concluíram que nenhuma ordem ou instruções foram dadas pelo Comitê Superior Árabe [24].


O Massacre de Deir Yassin e os rumores que se seguiram espalharam o terror entre os palestinos. A Irgun, sob o comando de Menachen Begin, disparou morteiros sobre a infraestrutura da importante cidade de Jaffa. Ações pulverizadas desencadearam evacuações às pressas de multidões palestinas em pânico. Já em 01 de maio, duas semanas antes da Declaração de Independência de Israel, aproximadamente 175.000 palestinos tinham fugido desnorteados [25]. “(…) na primeira quinzena de abril, Ben-Gurion e o estado-maior da Haganah aprovaram uma série de ofensivas para a execução das linhas mestras do Plano D” . (…) “Nenhuma cidade foi abandonada pelo grosso da população antes de um ataque judaico” [26]. 21 de abril, maior ofensiva da Haganah contra Haifa pelo Plano D. Registro pungente de um observador britânico no dia seguinte respeito das ações da organização: estava abatendo continuamente todos os árabes que se mexiam em Wadi Nisnas e na Cidade Velha.


Havia inclusive rajadas de metralhadoras e ação de atiradores emboscados, de maneira totalmente indiscriminada e revoltante contra mulheres e crianças (…) que tentavam sair de Haifa pelos portões do porto. (…) Havia fora do Portão Leste [do porto] um enorme congestionamento de mulheres, crianças e velhos árabes histéricos e aterrorizados sobre os quais judeus abriam fogo impiedosamente [27].


Em meio a este inferno disparatado, em 14 de maior de 1948, em poucos momentos antes de se declarar extinto o Mandato Britânico, as organizações sionistas em Israel promovem a declaração de independência do país. Na noite de 22 a 23 de maio de 1948, oito dias após a declaração da Independência do Estado de Israel, a aldeia costeira de Tantura foi atacada e ocupada pelo 33º Batalhão da Brigada Alexandroni, ligado à Haganah. À aldeia de Tantura não foi dada a opção de se render e o relatório inicial falou de dezenas de aldeões mortos, com 300 prisioneiros adultos e 200 mulheres e crianças.


Os documentos chamados “Arquivos Contemporâneos de Keesing” em Londres, apontam o número total de refugiados antes da independência de Israel em 300.000 [28]. Dentre abril a junho, durante a implementação do “Plano D”, uma onda de êxodo árabe dentre 250 a 300000. O Divisor de águas após o qual ocorrera a maior explosão fora com a Declaração de Independência. Os principais episódios foram em Lydda e Haifa. No fim de maio 1948, numa reunião do comitê político do partido de esquerda Mapam, Eliezer Prai, editor diário do partido, apontou que figuras do Yishuv promoviam “uma política de transferência (…) a sangue e fogo”. O líder do Mapam, Ya’acov Hazan, alertava que “o roubo, o assassinato, a expulsão e o estupro dos árabes podem assumir tais proporções que não teríamos condições de fazer parte de uma coalizão com Ben-Gurion”.


No mesmo mês, o diplomata sueco Conde Folke Bernadotte foi nomeado mediador da ONU na Palestina. Havia participado do resgate conduzido pela Cruz Vermelha de mais 30.000 prisioneiros de guerra dos campos de concentração nazistas. Em um relatório datado de 16 de setembro de 1948, ele escrevera: Seria uma ofensa aos princípios elementares da justiça elementar se a essas vítimas inocentes fossem negadas o direito de voltar para suas casas, enquanto os imigrantes judeus fluem para a Palestina e, de fato, pelo menos oferecem a ameaça de substituição permanente dos refugiados árabes que estão enraizados na terra por séculos [29].


No dia seguinte ao seu relatório enviado a ONU, a comitiva do Conde Bernadotte foi emboscada em Jerusalém. Ele foi baleado à queima-roupa por membros da Gang Stern, por ordem do futuro primeiro-ministro (em 1983) pelo partido conservador Likud, Yitzhak Shamir, então estrategista do Lehi. Observe-se que dois assassinos terroristas sanguinários mencionados aqui posteriormente foram eleitos primeiros-ministros. Massacre de Ad Dawayima, outubro de 1948. Um soldado testemunhou que as forças armadas judaicas capturaram esse povoado “sem resistência” e mataram “80 a 100 árabes homens, mulheres e crianças.


As crianças eram mortas quebrando suas cabeças com paus.” (…) “Um comandante ordenou que um solapador pusesse duas mulheres idosas em determinada casa (…) e explodisse a casa com elas dentro. O solapador recusou-se. (…) O comandante então ordenou que seus homens pusessem as mulheres lá dentro, e o horror foi cometido.” (…) “oficiais preparados (…) se haviam transformado em assassinos primitivos, isto não acontecia no calor da batalha (…) mas em consequência de um sistema de expulsão e destruição.


Quanto menos árabes permanecessem, melhor.”[30] _ O que deve ser conviver com estas memórias? O 22º Batalhão, de Carmeli, tinha ordens para “matar todos os árabes adultos” e incendiar com bombas incendiárias “todos os objetivos que possam ser incendiados” [31]. Aldeia de Safsaf – 52 homens amarrados com uma corda, jogados num poço e alvejados; dez foram mortos. As mulheres imploravam misericórdia, uma menina de 14 anos estuprada. Povoado de Jish – doze mulheres mortas, uma com seu bebê. Saliha – “94 foram explodidos dentro de uma casa” [32].


Isto não lembra o modus operandi do DAESH, ou ISIS? Adicionalmente, saques generalizados e vários casos de estupros [33]. “Em uma questão de sete meses, foram destruídas quinhentas e trinta e uma aldeias e onze bairros urbanos foram esvaziados. (…) A expulsão em massa foi acompanhada por massacres, estupros, prisões de homens em campos de trabalho forçado por períodos de mais de um ano” [34]. Israel anexou as cidades destinadas aos palestinos pelo Plano de Partilha: Acre, Nazaré, Lydda, Ramle, Beersheba e Haifa;e as de população de maioria absoluta árabe de Shef Aram e Jaifa. O sucessor do mediador da ONU, Ralph Bunche, laureado com o Nobel da Paz em 1950, testemunhou em outubro de 1948 que “as forças israelenses agora ocupam posições dentro do canto sudeste do Líbano, envolvendo cerca de quinze aldeias libanesas que são ocupadas por pequenos destacamentos” [35].


Na Nakba, além dos mortos, um tsunami humano de palestinos foram desterrados. Beny Morris, na obra aqui muito citada “The Birth of the Palestinian Refugee Problem”, compila muitos números, dados e depoimentos, mas tenta atenuar a questão das forças judaicas terem sido responsáveis pelas expulsões “in toto”. Ele trabalha com cinco fontes de estimativas para os árabes exilados até 1949. A de menor monta, do Foreign Office britânico, 711.000; a maior, a do governo britânico, 810.000 [36]. Em dezembro de 1948 as Nações Unidas estimaram em um estudo um contingente total de 726.000 palestinos desterrados [37].


Com isso a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 194, que além de reafirmar os princípios da Resolução 181, proclamou o direito inalienável dos palestinos a voltar para suas casas e a serem indenizados pelos prejuízos que acabavam de sofrer [38]. Foi ignorada. Em 1950 já se somavam 957,000 refugiados, de acordo com o Report of the Director of the United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East [39].


Espalharam-se em regiões precárias de países como Síria, Líbano, Jordânia, Egito, países pauperizados pela exploração colonial, fragilizados pelo período de luta pela independência, sobrecarregados por pesados fardos de “compensações” impostas pelas potências coloniais. A resolução da ONU de 1947 havia explicitamente fixado que as minorias restantes teriam direitos civis em cada um dos dois Estados, o judeu e o árabe, condição da aceitação destes pela organização internacional. Israel teve então de conceder a cidadania aos habitantes palestinos que permaneceram no interior de suas fronteiras. Conclusão? Este terror não foi concluído.


E esta reflexão não é um mero exercício intelectual, não é para satisfazer um apetite intelectual. Hoje os territórios palestinos se confinam à Jerusalém Oriental, à faixa de Gaza – bloqueada-, e na Cisjordânia, 61% está sob controle civil e militar israelense, com mais 21% sob controle conjunto. Israel embarga o acesso de 25 mil palestinos que moram em 9 comunidades até Belém, aos principais centros comerciais, principais mercados e centros de saúde. Bloqueia 35% das terras agricultáveis de Gaza e igualmente às áreas de pesca; retém os produtos de Ramallah no posto de controle por dias e os perecíveis se perdem. Israel retém dinheiro das ajudas humanitárias e o converte em shekels, retendo-os no Banco de Israel, que ganha dinheiro com a rentabilidade em juros.


O consumo de água dos pouco mais de cinco mil colonos do Vale do Jordão equivale a mais de 75% do consumo de mais de dois milhões de palestinos da Cisjordânia – Israel não reconhece aos palestinos a propriedade da água, apenas concessão de uso, reivindicando a propriedade para si com base em “uso histórico”. Israel desenvolve agricultura usando, por família, três vezes mais água do que uma família palestina da Cisjordânia por dia, sujeitando-lhes a comprar água, pelo preço total, na limitação do volume lhes imposto bem como para o desenvolvimento e manutenção de infraestrutura para abastecimento.


A gestão hídrica de Gaza, para o abastecimento e para a economia, foi condenada a ser auto-suficiente e unicamente na dependência do aquífero dentro de suas fronteiras. Israel explora as duas grandes reservas de gás em Gaza, a Gaza-Marine-1 e 2, sendo que 60% da zona costeira de onde está a licença de exploração está na área palestina. Israel é livre de qualquer responsabilidade de indenização financeira, mas a autoridade palestina está incumbida de ressarcir imediatamente Israel por qualquer corte ou tribunal internacional que a condenasse.


Não bastasse tudo isso, dia 06/01/2017 foi aprovada no parlamento israelense e sancionada uma legislação legalizando casas e assentamentos realizados em terras registradas de Palestinos na área sob controle militar israelense na Cisjordânia, reagindo à Resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2016 que condenou os assentamentos israelenses em territórios palestino, com votos de países diversos em orientação política. Está em jogo todas as bases morais que se pode almejar em imprimir no empreendimento civilizatório. Legitimar, ou mesmo se conformar indiferente a isso é um cinismo que dá de ombros a todas as convenções éticas de convivência entre povos, inclusive quanto a crimes de guerra. Não nos esqueçamos também dos refugiados.


Pense nos refugiados. Nunca receberam indenizações. Nunca foram recompensados. Oficialmente o governo de Israel lhes enquadra em uma categoria inferior de humanidade. Vigora em Israel uma lei que concede automaticamente cidadania e direitos de propriedade a judeus imigrantes (embora judeus etíopes sofram racismo institucional e até castração química). O Estado judeu registra meticulosamente seus proprietários legítimos — em outros termos, os judeus —, em suas carteiras de identidade e/ou nos registros de estado civil, com restrições quanto a casamentos civis, enterros públicos e direitos de herança para palestinos cidadãos em seu território.


Nega-se a permitir o retorno dos refugiados [40]. Devemos cicatrizar essa ferida. Algo deve ser feito. Não dá mais para esperar por um solução justa, compensatória e reparatória para os refugiados da Nakba. Por uma Palestina Livre.




Notas/Referências [1] FISK, Robert. A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007, pgs 515-517. [2] HORSLEY, Richard A. Arqueologia, História e Sociedade na Galileia: O Contexto Social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulos, 2000. p 164 [3] PETIT, Paul. A paz romana. São Paulo: Edusp, 1989 [4] https://web.archive.org/web/20080310053428/http://www.usd.edu/erp/Palestine/history.htm [5] GIL, Moshe. A history of Palestine, 634-1099. Cambridge and New York: Cambridge University Press. [6] http://www.on-island.net/History/LLoyd-George/v1.pdf p.1902 [7] Weizmann, Chaim (1949). Trial and Error: The Autobiography of Chaim Weizmann. Jewish Publication Society of America. pg 177-8 [8] https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/57C45A3DD0D46B09802564740045CC0A parte I, cap VIII [9] PORATH, Yehoshua. The Emergence of the Palestinian-Arab Movement, 1918-1929; London: Frank Cass 1974 p. 147 [10] Gelber, Yoav (2006). “Palestine 1948. War, Escape and the Emergence of the Palestinian Refugee Problem.” Sussex Academic Press. [11] PORAT, Yeshua, op.cit., p. 170. [12] British Government. Report of the Comission on the Palestine Disturbances of August, 1929. Cmd. 3530, p. 150.. Citado em United Nations. The Origins and Evolution of the Palestine Problem 19171988, Parte I, Capítulo III [ 13] United Nations. The Origins and Evolution of the Palestine Problem 1917-1988, Parte I, Capítulo II [14] MORRIS, Beny, “The Birth of the Palestinian Refugee Problem”, 1947–1949, Cambridge University Press, 1988, p.27 [15] Résolution 181 de l’Assemblée générale de l’Onu [Resolução 181 da Assembleia Geral da Onu], Réseau Voltaire, 29 novembro 1947. [16] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Cidadão do mundo: o Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascismo. São Paulo: Fapesp, 2010. [17] PALUMBO, Michael. The Palestinian Catastrophe: the 1948 expulsion of a people of their homeland. Longres: Faber & Faber, 1987, p.34 [18] FLAPAN, Simha. The Birth of Israel: Myths And Realities, Pantheon Books, New York; 1987. p. 104 [19] MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited, Cambridge University Press, 2004. [20] PAPPÉ, Ilan. The Ethnic Cleansing of Palestine. London and New York: Oneworld, 2006. [21] Pappé Ilan (1992) “The Making of the Arab Israeli Conflict 1947–1951” London and New York: I.B. Tauris, 1992, [22] UN parte II, Cap. V [23] Palumbo, p. 54. [24] MORRIS, op..cit., pg. 148 [25] Erskine Childers, Walid Khalidi, and Jon Kimche1961 Correspondence in “The Spectator” on “Why the Refugees Left” Originally Appendix E of Khalidi, Walid, “Plan Dalet Revisited: Master Plan for the Conquest of Palestine” in 18 no. 1, (Aut. 88): 51–70. [26] Sachar, Howard M. “A History of Israel from the Rise of Zionism to Our Time,” New York: Knopf, 1976. p. 332. [27] MORRIS, Birth, pg 129 – 130 [28] ibid, p. 131 [29] Mark Tessler’s “A History of the Arab–Israeli Conflict”: “Keesing’s Contemporary Archives” (London: Keesing’s Publications, 1948–1973). p. 10101 [30] Masalha, Nur (1992). “Expulsion of the Palestinians.” Institute for Palestine Studies, this edition 2001, p. 175 [31] MORRIS, “The Birth”, pg. 222-223. [32] MORRIS, “The Birth”, p. 191-192 [33] Ari Shavit—Survival Of The Fittest? An Interview With Benny Morris”, Logos, Winter 2004. [34] Pappe, Ilan (Spring 2006). “Calling a Spade a Spade: The 1948 Ethnic Cleansing of Palestine”. Retrieved 3 May 2007. [35]http://domino.un.org/unispal.nsf/9a798adbf322aff38525617b006d88d7/a1c20f7009def4fe85256a70006891fd [36] Notório é que Benny Morris é um apologeta sionista, não fazendo parte do corpo de intelectuais judeus críticos. Morris justifica a limpeza étnica como, segundo ele, a única alternativa para com o risco de genocídio de judeus no mundo http://www.logosjournal.com/morris.htm e também em Ari Shavit (2004)“Survival of the Fittest: Interview with Benny Morris”, Haaretz, 9 de janeiro de 2004. Dissera numa entrevista para o Le Monde em 30 de maio de 2002 que os palestinos são “um povo doente e psicótico” e “Era necessária a remoção de uma população. Sem a expulsão de uma população, não teria sido criado um Estado judaico”. [37] Final Report of the United Nations Economic Survey Mission for the Middle East, 28 de dezembro, publicado por United Nations Conciliation Commission, 1949 http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/C2A078FC4065D30285256DF30068D278 [38] «Résolution 194 de l’Assemblée générale de l’Onu» Réseau Voltaire, 11 décembre 1948. [39] Publicado por United Nations Relief and Works Agency, 28 de setembro de 1951. http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/8D26108AF518CE7E052565A6006E8948 [40] Yiftachel, Oren. Ethnocracy: Land and Identity Politics in Israel/Palestine. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2006

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Syria and Iraq ... Islamic State.




One day this April, instead of coming home from school, two teenagers left their valley high in the Caucasus, and went off to war.

In Minneapolis, Minnesota, a 20-year-old stole her friend's passport to make the same hazardous journey.

From New Zealand, came a former security guard; from Canada, a hockey fan who loved to fish and hunt.

And there have been many, many more: between 16,000 and 17,000, according to one independent Western estimate, men and a small number of women from 90 countries or more who have streamed to Syria and Iraq to wage Muslim holy war for the Islamic State.

Abu Bakr Al-Baghdadi, the group's leader, has appealed to Muslims throughout the world to move to lands under its control — to fight, but also to work as administrators, doctors, judges, engineers and scholars, and to marry, put down roots and start families.

"Every person can contribute something to the Islamic State," a Canadian enlistee in Islamic State, Andre Poulin, says in a videotaped statement that has been used for online recruitment. "You can easily earn yourself a higher station with God almighty for the next life by sacrificing just a small bit of this worldly life."

The contingent of foreigners who have taken up arms on behalf of Islamic State during the past 3 1/2 years is more than twice as big as the French Foreign Legion. The conflict in Syria and Iraq has now drawn more volunteer fighters than past Islamist causes in Afghanistan and the former Yugoslavia — and an estimated eight out of 10 enlistees have joined Islamic State.

They have been there for defeats and victories. Following major losses in both Syria and Iraq, the fighters of Islamic State appear to have gotten a second wind in recent days, capturing Ramadi, capital of Iraq's largest Sunni province, and the ancient city of Palmyra, famous for its 2,000-year-old ruins.

There are battle-hardened Bosnians and Chechens, prized for their experience and elan under fire. There are religious zealots untested in combat but eager to die for their faith.

They include around 3,300 Western Europeans and 100 or so Americans, according to the International Center for the Study of Radicalization, a think tank at King's College London.

Ten to 15 percent of the enlistees are believed to have died in action. Hundreds of others have survived and gone home; their governments now worry about the consequences.

"We all share the concern that fighters will attempt to return to their home countries or regions, and look to participate in or support terrorism and the radicalization to violence," Nicholas J. Rasmussen, director of the U.S. government's National Counterterrorism Center, told a Senate hearing earlier this year.

"Just like Osama bin Laden started his career in international terrorism as a foreign fighter in Afghanistan in the 1980s, the next generation of Osama bin Ladens are currently starting theirs in Syria and Iraq," ICSR director Peter Neumann told a White House summit on combating extremist violence in February.

One problem in choking off the flow of recruits has been the variety of their profiles and motives.

Associated Press reporters on five continents tracked some of those who have left to join Islamic State, and found people born into the Islamic faith as well as converts, adventurers, educated professionals and people struggling to cope with disappointing lives.

"There is no typical profile," according to a study by German security authorities, obtained by AP.

The study reported that among people leaving that country for Syria out of "Islamic extremist motives," 65 percent were believed to have prior criminal records. They ranged in age between 15 and 63. Sixty-one percent were German-born, and there were nine men for every woman.

In contrast, John G. Horgan, a psychologist who directs the Center for Terrorism & Security Studies at the University of Massachusetts Lowell, found some common traits among American recruits or would-be recruits for jihad. Typically, he said, they are in their late teens or early 20s, though a few have been in their mid-30s.

"From a psychological perspective, many of them are at a stage in their lives where they are trying to find their place in the world — who they are, what their purpose is," Horgan said. "They certainly describe themselves as people who are struggling with conflict. They are trying to reconcile this dual identity of being a Muslim and being a Westerner, or being an American."

Some are driven by religious zeal to protect the caliphate, or Muslim theocracy, that the Islamic State has proclaimed in the one-third of Syrian and Iraqi territory now in its hands; others are thrilled by the chance to join what is tantamount to a secret and forbidden club.

Still others appear to enlist mainly because others do.

"What they have in common is that they are young, they are impressionable and they are hungry for excitement," Horgan said.

Once recruits arrive in areas held by Islamic State, they appear to receive only rudimentary military training — including how to load and fire a Kalashnikov assault rifle. Nonetheless, they have been involved in "some of the most violent forms of attacks" by the group, including suicide bombings and filmed beheadings of foreigners, said William Braniff, executive director for the National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism, a multidisciplinary research center headquartered at the University of Maryland.

Areeb Majeed, 23, from a suburb of Mumbai, India, joined Islamic State in May 2014 and fought for six months, killing up to 55 people and taking a gunshot to the chest.

But all was not heroics. He eventually called his parents from Turkey and asked to come home, according to Indian newspapers. Majeed's chief complaint, officials from India's National Investigation Agency were quoted as saying, was that the group didn't pay him, and made him clean toilets and haul water on the battlefield.

Often, though, the foreign combatants use social media to serve as "role models and facilitators for the next volunteers," Braniff said.

"Before I came here to Syria, I had money, I had a family, I had good friends, it wasn't like I was some anarchist or somebody who just wants to destroy the world, to kill everybody," said Poulin, the Canadian ISIS recruiter.

"Put God almighty before your family, put it before yourself, put it before everything. Put Allah before everything," the bearded and bespectacled transplant from Ontario urges in the video.

Poulin's jihad ended last August; he was reported killed during an assault on a government-controlled airfield in northern Syria.

But not, according to the Canadian Broadcasting Corp., before he had recruited five others from Toronto to come fight for the Islamic State.